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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Quietude



Hoje eu não quis me mover, fiquei deitado,
Fechei os olhos para não pensar em você, estava cansado,
Muitas palavras alheias, e aqui quieto eu sei,
Que tentar não errar, é errar também.

Descanso a mente enquanto vejo o esforço do corpo,
Pensar diferente é liberdade, e não ser louco,
Na maioria das vezes ouço apenas reclamações,
E eu só queria ficar quieto, ouvindo nossos corações.

Ser um parasita ou simbionte não traz muito ao hospedeiro,
E o dia inteiro penso como argumento certeiro,
Que se preciso me agregar, prefiro sofrer primeiro,
Tristeza neste caso, não é opção, mas efeito.

Dizem que não conseguimos viver sozinhos,
Que ninguém anda sem outrem mostrar algum caminho,
Mas aqui deitado e quieto, é possível ver,
Que é apenas uma mesma história, contada outra vez.

Não há frio mesmo que eu não me mova,
Há calor suficiente, para querer que tudo exploda,
Ainda quieto, estou cansado para desejar qualquer coisa,
Nestes segundos parado, muitas memórias ecoam.

Com um banho gelado, um ventilador ao lado,
Ainda está quente, mesmo com tudo afastado,
Já ouvi que de tudo pode se tirar um aprendizado,
Pressupondo que há sempre algo certo ou errado,

Me coloco em algum dos “lados”, observando qualquer estrago,
Mas vejo perdas, baixas, não casualidades,
A todo tempo poderíamos ter escolhido nossas verdades.
Ainda quieto, gostaria que este momento fosse realmente estático.

Quietude pode ser repouso, recuperar alguma energia,
Nem todos tem motivos para viver todos os dias,
De qualquer forma minha existência não influência se o mundo gira,
Então permaneço quieto, até voltar a gastar energia com a minha própria vida.

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O que está escrito aqui, representa uma parte de mim que começou a uns cinco anos atrás, com o tempo ela ficou menor, ou melhor, manteve-se somente o essencial, talvez seja isso que nos deveríamos aprender a manter das coisas que aprendemos com outras pessoas, o que é principal, o que se encaixa nas nossas vidas.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Tristeza Lasciva

Observando de uma posição privilegiada,
Uma boca que não se importa se está fechada,
E com músculos relaxados fica claro,
Onde a energia do seu prazer está concentrada.

O salivar da sua boca me faz pensar que sou uma presa,
Um corpo que quer me devorar, e nisso há beleza,
E no morder dos seus lábios vou com surpresa,
Te gravar beijos para que você nunca esqueça.

É impossível não racionalizar, sinto enquanto penso,
Dentre milhares de estímulos, de fora, e dentro,
Adentro até onde é possível, com mil hipóteses,
No fim da noite acaba que sou um mero hóspede.

Não é preciso apelar para a seriedade,
A tristeza que me concentra nem aparece aqui,
Sinto que seu corpo está suficientemente de verdade,
Esperando a sinceridade de mais um sorrir.

Sem limites para cômodos ou incômodos,
O que delimita nossos esforços não são os ânimos,
Mas os sentidos que agregamos a todas estas situações,
Trocando corações e sorrisos durante estes anos.

Pouco é dito, mas muito é sentido,
Se palavras são erros, outros erros nós cometemos,
Como se não estivesse suficientemente perdido,
No meio de tudo ainda abro os olhos meio a seus cabelos.

Racionalizo os sentidos, mas pouco me importo com os meios e motivos,
Há o que viver, há o que pensar,
Não preciso dizer que é dar amor, ou amar,
Apenas uma maneira de confiar sem se por em perigo.

Gastaria mais energia em troca desta alegria,
Fisicamente porém, há limites intransponíveis,
Pouco fôlego nos pulmões, e barreiras de dopamina,
E conteúdos sobre você, que ainda são invisíveis.

Vou dar risada da ironia que eu mesmo proponho,
Uma música com tom de tristeza,
Me desculpe, mas preciso entender que não é um sonho,
E que lá fora ainda há muita incerteza.

Esquentando o frio do coração e do corpo,
Divagamos sobre o passar do tempo e afins,
E assim enfim, se “passa” mais um tempo,
Em que experimentamos como é compartilhar com outro.

O tempo nem existe, mas vou dizer que ele é pouco.

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Sobre o tempo: Para a física quântica o tempo não existe como força fundamental da natureza (Gravidade, eletromagnetismo, força nuclear fraca e força nuclear forte), e sim como um continuum.
O tempo não passa, o tempo continua, e enquanto planejamos um futuro que não existe, relembramos um passado que não vai voltar, esquecemos do nosso presente e deixamos de gastar energia com algo que mais se aproxima da nossa realidade: o tempo é agora enquanto vivemos, não haverá nada mais além disso.
Não é pra ser um discurso com falta de fé, mas até pensando pela física, nos aproximamos da realidade ao viver o “presente”, deixando de nos apegarmos a ilusões demais...vamos viver!

“A distinção entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que persistente...” Albert Einstein – em uma carta para a família de seu falecido amigo Michele Besso no ano de 1955.

Referências

Einstein, Albert, Letter to Michele Besso's Family. Ref. Bernstein, Jeremy., A Critic at Large: Besso. The New Yorker (1989).

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sem Tempo Para o Meu Tempo


Pouco tempo para pensar, pouco tempo para sair,
E a gente brinca com esse pouco tempo para agir,
Pouco tempo para mim, pouco tempo para você,
E ninguém lembra como chegamos aqui.

O começo de fato de não importa,
Mas é engraçado como a gente se comporta,
De fato há pouco o que se discutir,
Dos erros só há a chance de sorrir.

Talvez eu não me lembre de nada, nem é por esquecer,
Mas coisas boas não se encaixam em pouco,
Pouco tempo pra ouvir você,
Mas suficiente pra ver você se render.

Mesmo que a razão não esteja me guiando,
Sinto seu gosto nas partes por onde ando,
Enquanto corro, no entanto,
Você me diz que não mostra seu pranto.

Não quero saber das explicações, dos motivos,
Nem tampouco trago amarras, cercas e objetivos,
Só posso oferecer olhos nos olhos,
Sinceridade e outro sentimento para “amigo”.

Daqui só irá sair mais imprevisibilidade,
Muito gasto de energia e com certeza saudade,
Pode parecer que querer pausar quem corre é ambiguidade,
Mas às vezes só os detalhes mostram as coisas de verdade.

Não posso deixar de pensar no que sei,
Há limites controladores ao alcance de nós,
E eu sei controlar, mas não quero poder,
A idéia é sempre te mostrar que há um “após”.

Nas poucas horas de qualquer pensamento simples,
Acontecem coisas demais, não acompanharei,
E se prestar atenção é perder o que existe,
Por enquanto sou desatento, foi assim que aqui cheguei.

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Se esse poema fosse uma pintura, estaria em degradê com duas cores, cada uma com um humor e pensamento.




quinta-feira, 19 de maio de 2016

Contato Estático 2

O contato deste abraço, não denuncia minha vontade, nem a sacia,
Seu olhar me controla e me liberta, sua cama está vazia,
Fico parado atrás desta linha, que eu digo ser respeito,
Será um problema meu, se algo der errado neste momento.

Há tanta completude e possibilidade, neste mesmo espaço apertado,
Que sequer sei os movimentos corretos pra acabar do seu lado,
Sou pego na própria surpresa de uma situação imprevisível,
A todo o momento imaginando que só quem quer isto sou eu.

Revejo milhões de concepções por segundo,
Mas nenhum pensamento irá me trazer pro seu mundo,
O que há, é o que criamos e tornamos real,
E eu fico mais uma vez, sem conhecer sua temperatura basal.

Eu coloco uma música animada pra pensar em você,
Como se eu precisasse de mais dopamina pra te descrever,
Misturando confusão neste álcool, nem sei ir até “ai”,
Nada acontece e a gente sabe que vai terminar assim.

Com tantos pensamentos pessimistas, acabo mudando as premissas,
Relações que dão certo, pra mim são quando as pessoas são ouvidas,
Nem sempre faz sentido, estar com quem está na “minha”,
Mas faço as escolhas, que me exigem menor gasto de energia.

Com você menos em foco, e meu coração “in loco”,
Contradigo-me ao ter que me distrair para não agir,
Ser mal interpretado aqui é um fardo,
Enquanto que só gostaria de ter o seu abraço.

A liberdade é privada quando pressupomos algo,
Se ao afirmar meu afeto, me coloco em trilho com destino certo,
Qual a novidade em querer algo novo de verdade?
Isto tudo enquanto sabemos que cada um tem sua subjetividade.

Enfim, vou usar o enfim porque algumas coisas fizeram sentido para mim,
Se há coragem suficiente para entender que nem tudo é aparente,
Há possibilidade de se relacionar com pessoas de algo simples a complexo,
E que não há sentido na vida, mas somos nós que fazemos o nexo.

Observo aqui ao alcance das mãos, um mundo que não conheço,
E fico aqui tentando decifrar, eu vejo, e transcrevo,
Mas há demais, beleza, calmaria, sorrisos e simpatia,
E proponho companhia, pra você sozinha, nesta sala vazia.

O fato é que todos esperam que alguém ultrapasse a linha,
E continuo dizendo verdades enquanto você se esquiva,
Não quero regras, pra te trazer pra um beijo, e pra fazer o que espero,
Minha condição é simples, que você saiba o que eu quero.

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Acabei de perceber como o final do poema é difícil de escrever com “efeito”, principalmente quando é algo que já passou. Mesmo que eu tente escrever o mais próximo possível do evento que me inspira, nem sempre é possível lembrar exatamente das sensações, talvez por isso ouvir música ajuda, se houvesse música sempre, provavelmente nossas m

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fumaça das Manhãs

Já provei do mesmo gosto, até com um parecido rosto,
Uma fórmula que já vi dar errado e causar explosão,
Alguém que não se importa, mas convive com o outro,
E mesmo não parecendo, compartilha seu coração.

No primeiro caso fui afetado mesmo desconfiado,
Sentado ao lado, aquele cheiro de perfume com cigarro,
Um pouco de irresponsabilidade, e um desconcentrado tato,
O fim era simples, e somente um fato.

Tanto na ideia de um encontro combinado,
Quanto na complexidade de olhar nos seus olhos ao seu lado,
Era de comum acordo entre nós, como tudo era falso,
Mesmo que com toda a sinceridade fosse compartilhado.

Não havia discussão entre as partes, não havia errado,
Mesmo que não exista “verdade”, era tudo muito complicado,
Ninguém queria se ferir, ninguém queria ser perdoado,
E desta relação, nos tornamos escravos.

Como se fosse uma “contingência da vida”, a história se repete,
Vícios diferentes, mas vícios; de alguma loucura, muitos resquícios,
O cansaço, limitando até onde a gente “cresce”.
E há muito que dizer, mas só assisto tudo isso.

Mesmo que haja pouco tabaco, e seja moderado o álcool,
Há algo tão prejudicial quanto, e até me perco na descrição,
Dentro deste turbilhão até sinto o estrago,
Mas não tenho a mínima chance, de trazer uma explicação.

E dentre as diversas frases e confissões trocadas,
Passamos longe de dizer que as pessoas estão erradas,
Um pouco de misticismo pra “ver onde não existe”,
Continuando para esquecer que estamos tristes.

Não houveram promessas entre as partes,
Sem contratos, sem certezas,
Mas haviam confissões, machucados estanques,
Sem medo de se expor com clareza.

Algo tão importante quanto a segurança da “confiança”,
Surgindo meio a um mar de desesperança,
Tão volátil quanto éter, relembrávamos sempre,
De que não seria pra sempre, nem por isso deixávamos de seguir em frente.

Gostaria de ter ouvido que estava sempre certo,
Mas do refrão desta música só sobrou gritar a dor,
Tinha certeza de que estar sempre perto,
Me traria pouco prazer mas muito torpor.

Me lembro tão facilmente, que o perfume é claro,
Tantas sensações, tantos momentos raros,
A vida segue dentre estas evoluções que são de praxe,
E aqui vou lembrando, de mim, sei de onde saiu cada parte.

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Trilha Sonora que usei: Nirvana - You Know You're Right
Trilha Sonora que indico: Cradle of Filth - Nymphetamine 

Se o rio nunca é o mesmo a cada segundo, pois suas águas mudam, estas mesmas nos lembram sempre das que passaram.
Não era para falar de repetição, mas eu dificilmente me esqueço de  quando aprendo algo ou passo por alguma situação muito importante sentimentalmente, acabei escrevendo sobre um passado que já posso chamar de muito distante, como a nostalgia de uma fotografia, posso manter contato com pessoas que me formaram.

Já falei muito deste assunto, que nos meios de conversa que eu participo ainda é um pouco polêmico; o contato com pessoas com quem já nos envolvemos em algum tipo de relacionamento. Minha opinião anterior a chegar neste assunto, é que devemos ter a capacidade de sermos sinceros quanto aos efeitos negativos que causamos nos outros, e tentarmos também não ser egoístas ao manter contatos com pessoas de forma parasitária. Bom,melhor continuar este assunto num próximo post com o mesmo tema.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Corpo Beija

Sem categorizar ou me atentar a qualquer “tipo”,
Há certa demanda, preciso dizer o que sinto,
Não será efetivo, mesmo assim eu falo,
Sobre sentidos que dou, sobre algo que dificilmente será explicado.

Não me importa se o Ser Humano de fato,
Desenvolveu todo seu “aparato”, sentir perfume não só com o olfato,
Mas significar, imaginar, e outras coisas da “mente”,
Não me importa, mas nem tudo que se sente é aparente.

Há pessoas, corpos, mentes e bocas,
Cada um de uma forma muito particular,
Há muitas coisas dentro das vidas, debaixo das roupas,
E existe uma pequena chance, de se surpreender ao provar.

Passo longe de um catálogo ou estudioso aficionado,
É mais fácil dizer, que trago sentidos e palavras,
Sem muitos motivos por vezes, mas sempre apaixonado,
Por troca de existências e demasiadas risadas.

Sabemos via de regra como viver minimamente,
Talvez até saibamos que não sabemos de nada,
Isto não tira o mistério, de ter alguém a sua frente,
Que te remeta a um velho conceito, porém em nova página.

O olhar não só capta estímulos, pode transmitir,
Obviamente a boca que beija, é a mesma que sorri,
As mãos que afagam, querem sua essência extrair,
Tudo rápido demais, e acontece aqui.

Que seja o conjunto, de qualquer coisa, de tudo,
A boca auxiliada por movimentos do corpo,
Parece que tudo ressoa, melodia equilibrada,
Não é só uma boca que beija, mas um corpo que se entrega.

De modo incomum, mas jamais perturbador,
Uma equação resolvida, o desabrochar de uma flor,
Há tanto sentido  que parece ser óbvio,
O observador é o ator, quase completamente atônito.

Há energia aparente neste contato,
Como energia cinética potencial gravitacional,
Uma maçã dependurada, que cairá até o solo,
Um beijo calmo, esperando ser fenomenal.

Como se houvesse uma completude próxima,
Que só utiliza a boca para uma breve demonstração,
De que o corpo todo se comunica e gosta,
De ter outra existência, em sua boca e entre as mãos.

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Algumas semanas atrás eu estava entre amigos discutindo sobre o que seria a consciência em termos comportamentais, chegamos à conclusão de que é possível que a “consciência” seja o controle do ser sobre a maior parte, ou os principais estímulos que recebe, e os que são necessários para eliciar comportamentos desejados.
E o que isto tem a ver com este poema? Tudo. Geralmente nos acostumamos a desenvolver nossos sentidos da forma que nos ensinam, e talvez isso seja um fator que limite a transformação ou a utilização destes de outra forma, tem muito de ideal e poético neste comentário, mas já faz muito tempo que não uso meus sentidos de forma comum, há muito mais por aí para se captar das coisas boas que vivemos, basta desacelerar e sentir cada parte, cada estímulo, e em como isto tudo junto pode formar, ou forma algo prazeroso.


PS: A partir deste post vou colocar o título do poema no título da postagem. Fazia diferente porque a ideia original do blog sempre foi postar um poema e escrever, mas isto não está fazendo muito sentido pra mim atualmente, fora que me dá mais o trabalho de pensar em dois títulos (pensar em um já é suficientemente difícil).

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Contato Estático

Enquanto divagamos sobre complexas questões metodológicas,
Me pego estudando em sequência, da sua boca à sua roupa,
Há problemas não tão simples como a chuva lá fora,
Como manter intacta a distância em que a gente se encontra.

Se fosse tão simples como compreender ambiguidades,
Não haveria interesse neste olhar, mas eu me foco,
E dentre teorias monistas e dualistas,
Só quero saber como diminuir distâncias entre corpos.

Há tanto a dizer, mas cada segundo de atenção é importante,
Apelando para a física, quero discutir a realidade,
Enquanto que a minha, se encontra em um assunto à parte,
Veja a ironia, nunca houve segredo sobre minha vontade.

Digo que há exagero, explicações demais,
Que deveríamos falar menos, seguir as decisões tomadas,
Mas me vejo sentado, escrevendo sobre o que ficou pra trás,
E pensando sobre atitudes mal interpretadas.

Na tentativa de soluções não aparentes, para problemas recorrentes,
Me pego estudando a fisionomia que estava à minha frente,
Acreditando que a vida pode ser sem mistério, sem mentira,
Tão boa quanto as sensações, que do contato entre duas pessoas se cria.

O mistério é não saber o resultado desta equação,
Podemos criar hipóteses, realizar experimentos,
Felizmente não é só decifrar um coração,
Não só pensar em sentimentos, mas só há ciência em certos momentos.

E enquanto houverem ideias excessivas,
Tudo se moverá tão engraçado quanto uma discussão sem sentido,
Transformando em algo estático, o que chamamos de “vida”,
E o sorriso fica perdido, em algum canto escondido, esperando ser vivido.

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Parece que as últimas coisas que escrevi se referem quase à mesma coisa, um tema parecido de qualquer forma. A incerteza é algo atual, poderia apelar para a sociologia mas seria demais para uma nota de rodapé, o importante é que não foi até agora necessário utilizar a palavra “fé”, sempre tive ciência das incertezas e possibilidades, não houve mais medo em mim após o momento em que consegui olhar nos olhos deste “monstro”.
A vida é incerta, tudo pode ser bom como ruim, mas há mais chance de controlarmos nossas escolhas e aumentar a probabilidade de acontecimentos positivos, é isto que acredito atualmente.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Uma Pequena Lacuna

The Lack of Something

A vantagem de realizar algo abruptamente,
É a menor ansiedade ao estar na sua frente,
E realmente parece não funcionar assim exatamente,
Mas felizmente, o bater rápido do coração me diz que estou contente.

Encontros casuais me fazem pensar no após,
Onde me encontro criando futuros,
Esqueço ao fim das concepções, que não existe mais um nós,
E não crer no tempo torna tudo mais escuro.

Daqui em diante, parece que será uma troca de concepções constante,
Dividindo os sorrisos de alegria, entre atração e simpatia,
Não treinei meu coração para não amar as pessoas,
Independente de quem sejam, eu sempre amo suas coisas boas.

Se o problema fosse somente romantizar as relações,
Não estaria neste dia de sol, procurando trovões,
Pareço incapacitado para conviver com algumas conexões,
Ou até despreparado para estarmos a sós.

Se volto a pensar no efeito do seu olhar sob o meu,
Me esqueço do contexto, não sei onde estou, nem quem sou eu,
Todos os esforços estão concentrados nos efeitos do seu existir,
Não preciso me mover, não faço esforço para sorrir.

A esquiva para qualquer palavra errada, seria me denegrir,
Mas após 20 e poucos anos, muito mudou, e ainda estou aqui,
Independente de tudo que eu digo ou sinto,
Me encontro com todo o respeito, diante dos vários contextos.

Nossos pensamentos pouco diferem, estamos em contato,
Talvez o desafio seja descobrir qual é o limite,
Entre os sentimentos que me impedem,
De diminuir a distância entre nossos lábios.

__

Por mais estranho que pareça, foi escrito tocando Eminem. Prefiro não pensar no porque disso.
O pouco do tom negativo sobre o assunto de troca de concepções se deve ao fato de que atualmente mais do que em outras épocas, as ideias que se modificam eu propago quase que imediatamente, é a insegurança do mundo contemporâneo é claro, nada é “seguro” nem mesmo as concepções.

Dá medo, é angustiante, não vou dizer que gostaria de agir somente com o coração, sem racionalizar o amor em partes porque isso seria somente mais uma forma de sofrimento, mas que é foda, é foda.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Calor do Pensamento ao Meio Dia

A mão que escreve é a que acaricia,
O pensamento que se alegra, é o mesmo que cria,
A boca que recita declarações, é a mesma que beija,
Toque, contato e calor.

Na solidão de uma companhia dentro da minha abstração,
Poderia julgar o mundo, mas tenho calma.
Aqui pode haver você e meu coração.
Aqui pode haver nós deitados num colchão.

A mão que escreve é a que te dá prazer,
A pele que ruboriza, é a mesma que arrepia,
Os olhos que veem, são os mesmos que irão esquecer,
Não é só um orgasmo, é também amor.

Dentre linhas e palavras,
Mensagens subliminares,
Dor no peito, e serenatas.
É possível sorrir, e isto às vezes basta.

Está quente, a casa é chata,
O sistema escraviza, e isto tudo me mata,
O amor é uma razão suficiente contra tudo isto,
Você o traz, e por aqui eu fico.

Quando vejo sua imagem,
Quando lembro do seu sorriso,
Vejo o quanto sinto saudade,
E como tudo isto faz sentido.

Me perco em mim, me encontro com você,
Não sei o que há, não sei o que é,
É você, somos nós, pode ser tudo,
E queria que só você, fosse o meu mundo.




Escrito em 03/12/12
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Só de lembrar do momento da escrita deste poema, já sinto o calor desta cidade.

Tive a impressão de que os álbuns que comentei (“Angles-2011” e “Comedown Machine-2013”) tem um pouco a ver com a modernidade que eu gosto de imaginar quando penso em escrever, existe um grande problema ai, que é o fato de estarmos na contemporaneidade hehe, um dia vou precisar resolver isto porque prefiro escrever sobre o “agora”, mas voltando ao assunto dos álbuns, tive que ler reviews sobre os dois para confirmar minha suspeita deste “feeling 80’s” que dá de cara com o tema modernidade, e de fato (quem ouvir pode comprovar), eles utilizam alguns sintetizadores que dão essa impressão de estar ouvindo uma música sei lá, dos smiths, do Bowie; também tem o fato da bateria sempre ter puxado a banda pra este lado mais “mecanizado” digamos assim, traz outra impressão da modernidade, é só relacionar isso com o fordismo por exemplo, produção em série e tudo mais.
As minhas concepções vão ficar de fora deste post, porque só gostaria mesmo de dizer como estes dois álbuns se encaixam perfeitamente no conceito de modernidade que eu quero expressar, e como gosto muito de escrever ouvindo músicas que me tragam pensamentos paralelos ao tema,achei uma boa inspiração para os próximos poemas.
 :D



PS: O álbum Selva Mundo do vivendo do ócio também traz um feeling parecido, quando chegar pelo correio vou tentar fazer um review.